Sorte, um campeão também precisa dela e Sebastian Vettel não tem o que reclamar da sua. Defendendo-se bravamente, nos últimos momentos aproveitáveis de seus pneus, ele estava à mercê de dois ex-campeões mundiais, que, com carros muito melhores calçados, apenas aguardavam o inevitável desmanche dos Pirelli da Red Bull, para superarem o alemão e decidirem entre si o vencedor.
Já é bem sabido que a curva de rendimento dos pneus macios, que Vettel já vinha usando por 35 voltas, tem proveito até o ponto em que seu desgaste torna o carro incontrolável, e segundo o staff da Red Bull, faltavam apenas mais três voltas para que os pneus do alemão chegassem a esse nível crítico.
Mas eis que um acidente correu (ocorreu) em seu auxílio e, tranquilo, com pneus novos e supermacios, passeou até a bandeira quadriculada. É bem verdade, diga-se, que caso fosse mantida a bandeira amarela, a corrida terminaria com o safety-car na pista. Nas estatísticas, nenhum piloto que conquistou cinco vitórias nas seis primeiras provas da temporada deixou de ser campeão. A chance dos outros é pequena.
Se confirmar esse prognóstico, Vettel será bicampeão com apenas 24 anos! Tempo e talento não lhe faltam para quebrar todos os recordes e, pelo que se viu em Monte Carlo, sorte também não.
Sorte de um, azar dos outros milhões de espectadores que acompanhavam um final eletrizante e sofreram com o anticlímax provocado pelo acidente que paralisou a prova. Azar também de Alonso, que, apenas uma semana depois de chegar uma volta atrás dos líderes, aparecia em nítida condição de vencer seu terceiro GP de Mônaco.
E azar da McLaren, que ao chamar Button para a última troca de pneus parecia ter jogado fora suas chances de vitória, mas que, a dez voltas do fim, tinha o carro melhor com relação aos pneus e com boas chances de superar também o espanhol.
Mas tenho de admitir que essa corrida foi uma das melhores que já assisti nesse circuito (acho que já foram quase 40!). O Kers, a asa móvel e os novos pneus encorajaram os pilotos, que resolveram tentar ultrapassagens em diversos locais da pista.
Várias chegaram a acontecer sem maiores danos. Schumacher, que inaugurou as ultrapassagens improváveis ao superar Lewis Hamilton na curva Loews, mostrou o caminho que foi seguido por muitos durante a prova. Ele mesmo iria superar seu parceiro de equipe da mesma forma.
Mas o próprio Schumacher também se tornaria vítima, primeiro de Hamilton, ainda nas primeiras voltas e, depois de Barrichello, que ao final, com um nono lugar deu os primeiros pontos do ano para a Williams, que não pôde sorrir diante do excelente quarto lugar perdido graças ao desespero de Hamilton, que numa manobra mal calculada, atingiu um surpreendente Pastor Maldonado, e tirou da equipe uma preciosa quantidade de pontos.
A McLaren arriscou muito ao não mandar Hamilton logo para pista no Q3. Como acidentes em Mônaco são rotina, seria seguro ter mandado seu piloto à pista logo. Ao retê-lo, sobrou para o inglês uma tentativa malograda, após o resgate de Sergio Pérez.
Em verdade, o Hamilton tinha carro e braço para vencer, mas riscos demais, dele e da equipe, o deixaram longe dos primeiros lugares, a Red Bull é vulnerável em ritmo de corrida, e a McLaren não tem sabido aproveitar as oportunidades.
Embora em condições de treino ninguém se aproxime da eficiência do RB7 de Vettel, nas corridas essa superioridade evapora e as vitórias do alemão estão longe de ser um passeio. Hamilton, que vejo como o único real oponente, perdeu a cabeça e falou bobagens ao final da corrida. Seu desequilíbrio é mais um facilitador para o caminho vitorioso de Vettel.
Nenhum comentário:
Postar um comentário